segunda-feira, 1 de abril de 2013

A atualidade de um Porto (não muito) Alegre, mas DE LUTA!


O poder está de volta às ruas de Porto Alegre. E não falo aqui de poder militar, policial ou quaisquer outras manifestações desse tipo. O poder popular, o verdadeiro poder, está de volta às ruas de Porto Alegre.

Entenda o caso. Não é atual a notícia de que as passagens do transporte coletivo da capital gaúcha figuram entre as mais caras do país (antes do último aumento em 21 de março deste ano, o preço estava em R$2,85 perdendo o “posto” apenas para São Paulo – onde com R$3,00 tu pode fazer até quatro viagens de ônibus). Porto Alegre é uma capital de área territorial pequena (cerca de 500 mil km²) e seu sistema de transporte coletivo não realiza grandes itinerários de forma a corresponder a essa tarifa exorbitante.

Mas peraê! Isso não é invenção maluca da minha cabeça! Vamos aos dados...

No final do ano passado, o Ministério Público de Contas (MPC) apresentou uma medida cautelar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) de forma que este deveria rever o cálculo das passagens. Ao final deste processo, o MPC lançou uma orientação dizendo que o valor da passagem deveria estar em R$2,60 – e, então, iniciou-se uma discussão se haveria redução dos valores e, até, se esta seria, ou não, retroativa (como não há possibilidade de devolver o valor pago a cada um dos passageiros, a retroatividade apresentava-se como uma redução para além dos R$2,60 propostos). Para situar vocês, esta decisão teve sua última instância no início de março.

Uma pequena observação para os que não são de Porto Alegre: o transporte coletivo daqui é um completo lixo. Atrasos, superlotação e falta de segurança fazem parte do cotidiano. Os pontos de ônibus estão completamente descuidados pela prefeitura. As únicas obras que estão sendo feitas no sentido de “melhorar” o transporte é a implantação dos corredores BRT (Bus Rapid Transit) – uma obra da Copa que tem atrapalhado o trânsito muito mais que ajudado.

Pois bem, voltemos. Ao fim desde mês (dia 21), o prefeito José Fortunatti (PDT), junto com a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), resolveu ignorar a orientação do MPC e aumentou a passagem. Aumentaram. De novo. O valor não chegou aos ridículos R$3,30 que as empresas de ônibus estavam pedindo, mas para os (pouco menos) absurdos R$3,05 (6,51% de aumento). Óbvio, como todo ano acontece, a “culpa” do aumento caiu sobre as gratuidades, isenções, meias passagens, salários dos rodoviários, etc, etc, etc. E muita gente caiu nessa.

Mas ainda há esperança!

Não foram todos que engoliram este aumento – muito pelo contrário! Antes dele ser decretado, cinco atos já haviam sido realizados. Com o aumento, manifestações populares eclodiram nas redes sociais. Um primeiro ato aconteceu na noite de segunda feira (dia 25) quando os manifestantes fecharam a Avenida Ipiranga (uma das maiores e mais movimentadas daqui) – cerca de 200 pessoas protestaram em frente à PUC-RS e depois seguiram pela avenida, bloqueando o trânsito.




Na quarta feira, dia 27, um novo ato em frente à prefeitura reuniu centenas de manifestantes bradando sua contrariedade ao reajuste. Como (infelizmente) já é de praxe aqui na capital, a Brigada Militar resolveu “lidar com os manifestantes” e lançou bombas de efeito moral. Com isso houve revolta dos que ali estavam e a violência aumentou: a prefeitura teve portas pichadas, vidros quebrados e outras avarias patrimoniais. O secretário municipal de Governança, Cézar Busatto (PMDB), teve sua roupa manchada por tinta lançada pelos manifestantes. Estes sofreram a truculência da polícia. Uma manifestante foi detida e o ato só terminou quando ela foi liberada.



Recua polícia, recua! É o Poder Popular que está na rua!


Pois bem, depois disso tivemos que aguentar o Lasier Martins (jornalista da afiliada da Rede Globo no RS) falar mais de suas besteiras durante o noticiário local. Chamou os manifestantes de bárbaros, animais. Disse que eles não tiveram sensibilidade com a semana de aniversário de Porto Alegre (!!!) – como se o prefeito tivesse pensado nos 241 anos completados no último dia 26 antes do aumento – e que estes atos eram realizados por “figurinhas carimbadas” que levam outros a depredar patrimônio e não trazem nenhum benefício à população. Nas redes sociais, discussão e mais discussão, porém com a maior parte das pessoas apoiando os populares e suas ações.



Hoje mais um ato foi realizado. Mais de DEZ MIL pessoas foram contabilizadas. Para tristeza dos direitistas, nenhuma “depredação do patrimônio” aconteceu. Ahhh, sim! Ia me esquecendo: na tarde de hoje o prefeito reuniu-se com “representantes estudantis” para discutir o aumento das passagens. Coincidentemente (só que não), o DCE da UFRGS não estava representado nesta reunião. Os membros da UEE (União Estadual de Estudantes) – entidade que não representa ninguém, é filiada à UNE e extorque os estudantes anualmente pedindo valores absurdos para a confecção de carteiras de passe escolar – disseram ter convidado o DCE (uma das principais entidades organizadoras dos atos), mas não chegou nenhum convite! Conversas a portas fechadas com entidades que têm claras ligações com o governo, não representam a população, muito menos os estudantes, ô seu prefeito! Aprenda isso!



Porto Alegre está nas ruas, nós não iremos parar até essa passagem baixar o preço. Até este transporte ser digno. Até a população ser ouvida.



Se a passagem não baixar, Porto Alegre vai PARAR!

Desculpem o tamanho do texto, estou empolgada!




Para quem tá em busca de maiores informações: googleia a Zero Hora (jornal das organizações Globo) ou vai nesses links:
Sul 21 - protesto
Sul 21 - Reunião prefeitura




sábado, 9 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher


          E passou mais um 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Estamos em 2013, mas, nas redes sociais, ainda prevaleceram postagens exaltando a feminilidade, graciosidade e delicadeza das mulheres, ao parabenizá-las pelo "seu dia". Será que estas são características das mulheres, no geral? Aliás, será que o Dia Internacional das Mulheres serve para isso, parabenizar as mulheres no geral?


          Bem, voltemos à origem desta data.


        Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. 


       Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.

      Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo um dia oficial que, durante o período soviético, permaneceu como celebração da “heroica mulher trabalhadora”.

       (tirei o texto da wikipédia. Não há um consenso histórico sobre o primeiro parágrafo mas resolvi transcrevê-lo pois é o que comumente nos é ensinado nas escolas)


       Atualmente o 8 de março é uma grande mistura de dia das mães e dia dos namorados; mais uma data comercial que acaba trazendo à tona esteriótipos opressores da nossa sociedade. Mulheres ganham presentes dos seus pais, maridos e chefes. Rosas e sapatos são vendidos aos montes. Mesmo assim, apesar da suposta valorização da mulher, continuamos aprendendo que tem coisas que os homens podem fazer e que nós não podemos. Continuamos ganhando menos no mercado de trabalho. Continuamos com nossas jornadas duplas ou triplas. Continuamos sendo esteriotipadas. Continuamos sendo chamadas de vadias por gostar de sexo. Continuamos sendo espancadas e mortas, pelo simples fato de termos nascido mulheres.

       Não posso concordar com essa lógica. Para mim, o dia 8 de março tem classe: Dia Internacional da mulher proletária, que luta, que diariamente é oprimida pelo sistema, que sofre, que é explorada, que não desiste – a HEROICA MULHER TRABALHADORA.

           
        Que o 8 de março seja uma data para repensarmos desde a educação que damos às nossas crianças até a forma como agimos diariamente . Para lembrarmos que a valorização da mulher não se dá pelo comprimento da sua roupa, mas pela mudança de toda a sociedade. Para percebermos que as características femininas estão, há muito, deturpadas pelo sistema. Para desejarmos que a liberação sexual das mulheres pare de ser uma utopia e vire realidade. Lembrarmos que as mulheres não se distinguem em "pra namorar" e "pra transar". Compreendermos que a mulher possui direito absoluto sobre seu corpo e somente a ela cabe decidir o que fazer com ele. Que mulheres podem amar outras mulheres. Percebermos que a mídia nos aprisiona dentro de um padrão de beleza a cada dia mais impossível. Que temos o direito de andar na rua, nos ônibus, nos metrôs sem sermos assediadas. Entendermos que mulheres gostam de sexo e merecem o prazer. Que somos diferentes, mas temos que lutar lado a lado. 

                    



       Tanto mais podia ser dito, mas tentarei resumir e deixar claro: não queremos flores dia 8 de março, queremos DIGNIDADE e RESPEITO!






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domingo, 27 de janeiro de 2013

sábado, 6 de outubro de 2012

Porto Alegre - só que não!



Venho contar a história de uma Porto Alegre, que anda cada vez mais triste.

Os últimos dias têm sido de tumultos e violência na capital gaúcha. Diversas manifestações eclodem, pessoas têm saído às ruas para protestar pelos seus direitos e a polícia “faz seu papel”: a mando do governo, de forma a preservar a ordem vigente (leia-se: governo agindo como um fantoche para as grandes potências econômicas e empresas multinacionais), age com total truculência vitimando muitos que só estavam na hora errada, no lugar errado.

Privatização de locais públicos é somente um dos inúmeros legados que a Copa de 2014 irá deixar para o Brasil. Não que este processo tenha começado com a Copa, mas, certamente, acentuou-se com ela. Também podemos citar as remoções de famílias, os desvios do dinheiro público, etc.

Na noite de quarta feira, o cantor Tom Zé apresentou-se no Araújo Vianna. Em um espaço de forte apelo histórico-cultural porto-alegrense, a noite terminou com seguranças tirando à força as pessoas do local, utilizando armas de choque e com a lata inflável da Coca-Cola (empresa que esteve na parceria público-privada para revitalização do lugar) queimada em uma das principais avenidas da cidade – tudo porque as pessoas queriam permanecer próximas ao auditório no final do show, confraternizando, esperando seus pares, pensando em como voltar pra casa...




Quinta feira, noite de debate para os candidatos à prefeitura na maior corporação midiática do sul, a RBS (filiada às organizações Globo). Diversos jovens encontravam-se no centro da cidade, participando de um evento convocado pelas redes sociais que tinha objetivo de promover a “defesa pública da alegria”. O evento, segundo as informações constantes nas redes, pretendia juntar as pessoas em frente à prefeitura para protestar contra as remoções da copa, utilização dos espaços públicos por empresas privadas e também o fechamento de inúmeros bares na Cidade Baixa (popular bairro boêmio da cidade). No mesmo local estava mais um objeto inflável: o boneco símbolo da Copa do Mundo no Brasil, Tatu Bola. Devido a sua grande importância para a sociedade (!!!!!), este encontrava-se assegurado por diversas viaturas e policiais armados.


No momento em que os manifestantes preparavam-se para realizar uma ciranda ao redor do boneco, a polícia começou a interagir com pura brutalidade. Cassetetes, bombas de efeito moral, balas de borracha e máquinas de choque foram utilizadas contra manifestantes que nada tinham em mãos. Com a confusão instaurada, o boneco da Copa foi derrubado e esvaziado.





 Mais de 20 pessoas ficaram feridas. Seis pessoas foram detidas. O principal assunto no dia seguinte? “O vandalismo dos manifestantes com um “indefeso” boneco de tatu”. Até quando iremos ver pessoas apanhando, policia agindo de forma intransigente e ainda dizer que “eles mereceram, foram provocar”.

“Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ser saco de pancada?” (Gabriel, O Pensador)

Os: Nesta mesma quinta feira, uma funcionária da UFRGS foi estuprada dentro do campus da universidade. E lá não havia nenhum policial. A prioridade é “salvar” um boneco.

Maiores informações e vídeos:


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domingo, 23 de janeiro de 2011

Tragédia na região serrana


Oi Povo!





Pois é... Sei que faz tempo, que prometi postar mais, mas as coisas nem sempre acontecem da maneira como gostaríamos. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo e não conseguiria (e nem poderia devido à importância delas) falar sobre todas em só post. Juro que, aos poucos, vou colocando-as e dando a devida importância a cada uma. Para além disso, quero deixar aqui registrado que, de vez em quando, irei atualizar o blog com letras de músicas, poesias, vídeos ou outras coisas que tenho recebido, achado interessante mas ficado com preguiça de contextualizá-las (não se assustem! o blog não ficará uma bagunça... somente terá um pouco mais a cara de "o tudo numa coisa só" ;) ).




Pois bem... E o que me traz de volta aqui numa noite quente de verão porto alegrense? Passei o último fim de semana meio isolada com alguns amigos, tendo ótimos momentos e boas gargalhadas. Mas algo me perturbou durante todo esse tempo. Como alguns sabem tenho trabalhado todas as noites e, como meus pais transferiram a assinatura do jornal para a praia minhas principais fontes de notícias e ligações com o mundo estão praticamente rompidas (não! eu não tenho paciência de ler notícias pela internet - e juro me policiar mais para fazer isto). Devido a isso não acompanhei, durante toda a semana passada, as reportagens oriundas da região serrana do Rio (onde houve diversos deslizamentos e enchentes por causa das fortes chuvas deste mês). Por mais um ano este maravilhoso estado da região sudeste de nosso país é assolado por uma tragédia natural, perdendo as centenas os seus habitantes¹. 






Sobre isto tenho algumas ponderações a fazer. A primeira e mais relevante para mim neste momento (e o que me leva a escrever este post) é a exploração da mídia em cima do drama das pessoas. Em algumas notícias abertas há pouco li que já passam de 750 mortos. Acredito que só este dado já é bastante chocante. Pessoas soterradas. Pessoas levadas pela lama. Pessoas que não conseguiram vencer a força das águas. Pessoas que sobreviveram após perder toda sua família. O Brasil mais uma vez fica estarrecido diante das imagens da televisão (eu enchi meus olhos de lágrimas diversas vezes durante o fim de semana). Mas isto não basta para as grandes empresas de comunicação. Elas querem mais.




Elas querem sugar até o último suspiro aquelas pessoas que já estão tão traumatizadas. Não consigo contar agora quantas foram as diferentes entrevistas que assisti ou ouvi este fim de semana com diferentes pessoas e diferentes histórias, mas todas com traços em comum: a perda, a dor e o desespero. Não entendo (e isto provavelmente deve-se ao meu parco entendimento sobre pessoas sem ideais) como os repórteres conseguem chegar a um hospital e fazer aquelas pessoas reviverem todos os momentos de desesperos dos quais acabaram de se salvar. É realmente necessária essa dor e este transtorno? Desculpem... Fico realmente indignada diante tanta falta de sensibilidade. 







Outra questão que quero abordar é sobre a causa destas "tragédias naturais". Depois delas ocorrerem sempre ouvimos àqueles que dizem que as pessoas sabiam dos riscos que corriam, tinham suas casas em situações irregulares, etc etc etc. Ok! Mas será que já paramos pra pensar que este é o único lugar onde elas conseguiram montar um cantinho próprio? Que elas, infelizmente, não têm condições de ter uma casa em um bairro que não inunda quando chove? Sei que neste caso da região serrana pessoas com posses maiores também foram atingidas, mas estas não são, nem de longe, a maioria. 




Ouvi, antes do início de toda esta tragédia, uma reportagem sobre os gastos que o governo tem com prevenção de catástrofes e depois com a reparação dos danos. Todos devem imaginar que o primeiro não chega nem perto do valor do segundo. Mas o que me deixou mais chocada foi a resposta dada quando perguntado sobre o porquê que estas obras (de prevenção) não eram feitas. A ilustre pessoa entrevistada, respondeu com todas as letras, que estas obras não geram visibilidade política. Não são como a reconstrução de uma cidade. Que é como tapar um bueiro. LÓGICO! Já que não teremos visibilidade com isso, vamos deixando as pessoas morrer. Daí já aproveitamos a "limpeza" feita na cidade que depois será reconstruída. É tanto descaso que às vezes, fico sem esperanças.



Enfim. Encerro este post demonstrando minha total admiração pelo ser humano que é capaz de mobilizar-se diante do desespero alheio e promover ajuda da maneira que lhe é possível! É esse o tipo de pessoa de olhar em volta e pensar que vale a pena lutar e que as coisas podem ainda melhorar!

















segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Democracia... será?

                   Olá a tod@s que aqui retornam!

Primeiro sinto que tenho que me desculpar pelo pó e pelas teias de aranha que deixei acumular aqui, ficando tanto tempo sem postar. Justifico: sou EXTREMAMENTE indecisa e todos os dias penso em uns três ou quatro temas, por baixo (hehehe), que deveriam ser eixos deste post. Sem me decidir sobre o assunto “ideal” e com a correria do meu dia-a-dia só aumentando acabo sem escrever sobre nada (o que, acreditem, me faz muito mal).
  

Enfim... desculpa (esfarrapada??) dada, centrar-me-ei neste texto! Estamos às vésperas de mais um processo eleitoral no Brasil no qual escolheremos novos representantes para cinco diferentes instâncias do poder. Diante disso, nada mais apropriado do que falarmos sobre política.



Sim... eu sei que a opinião da maior parte dos brasileiros é que política é um assunto que não se deve discutir (quem dirá num blog!!) porém acredito que é importante pensarmos sobre os rumos do nosso país, estado, cidade, bairro, etc e também, se me dizem que política, futebol e religião não se discute... são justamente estes assuntos que eu vou querer discutir! ;)


Há mais ou menos um mês nossos canais de televisão e estações de rádio foram invadidos pela propaganda política obrigatória. Antes disto os jornais já exibiam matérias gigantescas sobre intenções de votos e coligações entre partidos. Mas e tu, com tudo isso? Alguma vez, neste período eleitoral, parou em frente à televisão ou para escutar rádio e ouvir toda a propaganda eleitoral? Procurou pela internet ou qualquer outro meio informações a respeito dos candidatos, dos partidos,...? Se respondeu que não a qualquer das perguntas, não te preocupes! Tu estás junto com boa parte da população!!!


Mas afinal, será que não queremos discutir política e decidir o futuro da nossa nação? Acredito que não. O que vejo é que estas eleições - assim como as outras, já estão decididas. Qualquer candidato(a) que vencer não irá realizar grandes mudanças para melhorar a educação, saúde, segurança... A não ser que faltem apenas alguns meses para as próximas eleições. Prestem atenção ao que os candidatos falam na sua propaganda eleitoral: o que muda de um para outro? Aliás, um ponto importante a prestar atenção é que os partidos possuem diferentes tempos dentro da propaganda eleitoral: o tempo é proporcional à bancada na câmara dos deputados de cada partido. Super justo né? O partido que tem mais "poder" tem também maior tempo para falar. É o que eles chamam democracia.


Ainda sobre propaganda eleitoral tenho algo para dizer. Eu não aguento mais ver minha cidade cheia de plaquinhas de candidatos. Não é por ver constantemente a cara de uma criatura que vou votar nela! Isso sem falar nos malditos carros de som e sua poluição sonora totalmente desnecessária! Agora mesmo, enquanto escrevo este post, passa uma carreata na minha rua com um carro de som puxando-a. Quem inventou jingles eleitorais deveria ser obrigado a ouvir todos eles! (Desculpem! Momento indignada mode [on].)



Dentro deste sistema que chamam democracia somos OBRIGADOS a votar, a ouvir sua propaganda eleitoral desproporcional, a aceitar suas pesquisas de intenção de votos (quem ainda acredita no que elas dizem?),... Mas é tudo muito democrático. Os debates, por exemplo. Eles chamam TODOS os candidatos para participar não é? São quantos candidatos à presidência mesmo? Quatro? Mas se não assistimos os debates os presidenciáveis também são entrevistados pela dupla dinâmica Willian Bonner e Fátima Bernardes (claro... Rede Globo! Ótima referência de "neutralidade" política! ¬¬).


Sobre neutralidade política uma coisa que achei interessante. Vi estes dias uma daquelas propagandas do Tribunal Superior Eleitoral ensinando como as pessoas poderiam votar apenas na legenda do partido. No final desta propaganda eles "explicam" que votar em branco é COLOCAR O VOTO FORA, NO LIXO, já que ele não é contado. Se o voto em branco é colocar o voto fora por que temos a tecla "BRANCO" nas urnas e não temos a tecla "NULO"?


 Vou aqui confessar que não consegui assistir a nenhum dos debates - falta de tempo, esquecimento, trabalhos da faculdade... são várias as desculpas desta vez. Mas tenho acompanhado os candidatos, o que dizem e como agem e já tenho minha decisão tomada para o dia 3. VOU VOTAR NULO. Nenhum dos candidatos e partidos que hoje estão ali para elegerem-se me representa. Defendo um partido verdadeiramente revolucionário e o voto nulo para demonstrar nossa indignação com esse sistema "democrático".


 Enfim... Minha intenção aqui não é outra senão incitar o debate sobre algumas questões polêmicas. Acredito que política é muito mais que eleições ou um cargo como presidente ou deputado estadual. Política, para mim, é que fazemos diariamente. É a maneira como agimos diante de cada situação: uma criança jogando papel no chão, uma aula na escola, um idoso sem lugar para sentar no ônibus, e, claro, a forma como escolhemos nossos candidatos. Procure maiores informações sobre os candidatos. Pense no que vai fazer diante da urna.



 Um pouco de humor com a sempre jovem Mafalda para encerrar este post. [Quem não conseguiu ler/entender o primeiro quadrinho diz: DEMOCRACIA (do grego demos, povo, e kratos, autoridade) Governo em que o povo exerce a soberania.] Continuarei por aqui. Quem quiser trocar uma ideia, sinta-se completamente a vontade! Obrigada pela paciência dos que chegaram até aqui!


 Bjos e até a próxima! ;*

sábado, 31 de julho de 2010

Copa do Mundo na volta aos blogs

Olá a todos e todas que estas linhas lêem! Enfim... resolvi reativar minha vida de blogueira! Mas preferi recomeçar do zero, ser um início e não uma continuação, pois assim me parece mais divertido, mais emocionante! Espero que gostem! =]

Vamos aos trabalhos então? Muito tem me passado pela cabeça nos últimos dias mas algo insiste: copa do mundo de futebol!

Pois é... este mês (e mês passado também) tivemos nossas vidas atropeladas por este megaevento que invadiu nossas casas, nossas televisões, nossos jornais, nossos assuntos de mesa de bar e todos nossos planejamentos de noites com amigos (eu sofri muito com isso já que meu aniversário foi véspera da final da copa ¬¬). Muito falamos, muito discutimos que só deu zebra, que a final foi ruim, que os jogos foram fracos, que o Brasil não jogou bem, que o Filipe Melo estragou tudo... e o que ficou disso tudo? Sei que não sou a melhor pessoa para falar disso, não acompanhei a Copa, assisti a alguns poucos jogos, continuei com minhas tarefas infindáveis de final de semestre, mas me pergunto: fora as vuvuzelas, com seu irritante e insistente zumbido, e a Jabulani o que ainda resta na nossa lembrança? Nessa linha de pensamento que estou seguindo me permito um pulo no futuro e prevejo a final da Copa de 2014. Brasil. Euforia, Dois times fortes no enfrentamento final. 90 minutos. Tá, tudo bem, talvez 120. Encerramento. Entrega de troféus, medalhas. E ponto final. O que restará? Conversas por mais uma semana e só isso. Com esse cenário me pergunto: para que uma copa no Brasil? Aliás, refaço a pergunta: quem quer uma copa no Brasil?


Volto ao presente. África do Sul. Cinco estádios construídos. Hotéis de luxo inaugurados (a maior parte para abrigar as delegações de jogadores e equipes técnicas). Milhares de dólares investidos desde a escolha da cidade sede. Milhares de mortes para que os turistas chegassem a um país "pacífico" (ninguém vai querer assistir sua seleção jogar num país em um país com cinquenta assassinatos por dia, um estupro a cada inacreditáveis vinte segundos e uma estatística de roubo galopante não é mesmo?). Centenas de famílias vivendo em casas de lata de 18m² - onde grandes lotes são cercados para que estas pessoas não se mostrem ao mundo. O que fica para o povo africano? Quantos desses milhões de dólares foram gastos em prol da população em geral? Da população que, apesar de não possuir grandes quantias de dinheiro, transmite amor às seleções de seu continente, que vibra, que torce? Quando estas famílias poderão voltar às suas casas e suas vidas normais?


Aqui no Brasil já tivemos um exemplo com os jogos Panamericanos realizados na capital fluminense. Uma CPI que até hoje não foi instaurada. Obras super-faturadas e que hoje estão ou nas mãos de grandes grupos imobiliários ou então sem uso, causando gastos de manutenção à prefeitura carioca. Meu temor é que estamos seguindo no mesmo caminho...


Acho que por hoje é isso. Nada de respostas. Muito de inquietações. Boa noite e obrigada a tod@s que aguentaram até aqui!




Ps.: A seleção Italiana foi eliminada logo na primeira fase. Sem Vincenzo, Canavarro, Gattuso e Grosso qual motivo eu teria pra continuar acompanhando a copa? ;)